OS COMPUTADORES CHEGARAM. E AGORA, PROFESSOR?

2.12. OS COMPUTADORES CHEGARAM. E AGORA, PROFESSOR?

Já não se discute mais a importância de se introduzirem os computadores nas escolas. É um fato. Tanto que a existência dessas máquinas nos estabelecimentos de ensino passou a ser um dos critérios de escolha dos pais na hora de definir onde seus filhos irão estudar. Por isso, escolas – pequenas ou grandes, localizadas em bairros de classe média alta ou situadas na periferia das cidades, com diferentes propostas pedagógicas – não importa: todas sabem que precisam adquirir computadores como prova de modernização. Máquinas imprescindíveis na educação? Bom, mesmo que alguns céticos possam responder um categórico não ou um cauteloso talvez, não se pode duvidar da presença maciça de um discurso que responde um otimista sim a essa questão. Mesmo no discurso oriundo das instâncias educacionais públicas pode-se comprovar isso – o PROINFO está aí para comprovar. Explica-se.
Um novo milênio chega inaugurando uma época de mudanças e inovações. Dentro de um processo mundial de globalização, inicia-se um período onde ter poder significa, principalmente, ter domínio sobre informações – saber acessar, selecionar, aplicar adequadamente as informações necessárias e úteis na construção do saber e, principalmente, chegar à compreensão das vantagens e benefícios dessa massa de informação que chega a cada segundo passa a ser uma das qualidades do cidadão do novo milênio que se aproxima. Dessa forma, dominar fatos e aprender as técnicas de utilização do novo são atividades importantes, mas que devem ser complementadas com a busca pelo desenvolvimento da capacidade de análise e interpretação desse fatos, na atribuição de um sentido ou significado às inovações: só assim é possível, além de explicar o novo, apontando suas vantagens e benefícios, antever problemas, propondo soluções criativas na sua resolução.
Qual é a porta de entrada dessa nova era? O conhecimento, enquanto processo contínuo e ininterrupto de aprendizagem. Só a partir da assimilação consciente das novidades introduzidas na sociedade pelas descobertas científicas e tecnológicas – desde a utilização de bens (ou equipamentos) nas empresas e nas nossas próprias casas, à adaptação de padrões inéditos de comportamento – é possível sentir-se incluído nesse novo mundo. Já não basta saber o como fazer, mas, mais do que nunca, importa saber o porquê fazer.
E, reproduzindo o discurso da maioria: para preparar os alunos para essa nova era, somente introduzindo nas escolas um equipamento novo e altamente poderoso como o computador. Certo? Errado? Bom, até o presente momento, considerando nossa experiência pessoal somada ao material bibliográfico publicado na área, aqui no Brasil e no exterior, a melhor resposta a essa pergunta seria: nem sim nem não, muito pelo contrário… Por quê?
Assimilar o novo, esteja ele relacionado às modificações da trajetória da vida pessoal ou profissional das pessoas exige mais do que a simples procura da utilização e conhecimento de uma técnica para o uso de novas máquinas. Não basta saber, por exemplo, como funciona um computador – seus componentes de hardware e software – para que a sua utilização no contexto pedagógico seja eficiente. Muito menos comprar todos os softwares educacionais disponíveis no mercado (e olha que não são poucos!). Mais do que dominar técnicas é preciso construir e reconstruir novos padrões de comportamento através da compreensão (associação) do sentido da introdução desse equipamento no contexto da escola. E, para isso, cada profissional envolvido nesse processo necessita aprimorar o processo de autoconhecimento, isto é, sua capacidade de interpretar a si mesmo a partir do sentido que as mudanças passam a ter em suas vidas: qual a vantagem, benefícios e mudanças resultantes da adoção de tais novidades tecnológicas.
Por essas razões, qualquer proposta de introdução dos computadores no contexto escolar, deve considerar, em primeiro lugar, a importância e necessidade de os professores experimentarem o processo de conhecimento desse novo instrumento didático, cuja característica fundamental é a de proporcionar a construção de novas formas de ensinar-aprender. E a palavra processo já diz tudo: treinar professores nas técnicas de utilização de hardware e software não implica na introdução e manutenção eficazes dos computadores nas atividades didático-pedagógicas desses professores. Sem experimentar o processo de descoberta dos recursos da informática – isto é, sem a descoberta do significado da introdução dos computadores em suas atividades pedagógicas e sem um respaldo teórico relativo a essa utilização – torna-se impossível a construção desses novos modos de ensinar-aprender.
Falar é fácil. Concordo. E antes que as ideias desse artigo sejam acusadas de muralistas (isto é, nas palavras de Odorico Paraguassu: pessoas que ficam em cima do muro…) epilogamos. Introduzir os computadores? Sim, mas com uma condição sine qua non: preparando os professores, proporcionando-lhes a oportunidade (e direito) de experimentarem esse processo de descoberta do computador, de terem acesso a todo o material que vem sendo publicado na área. Só assim esses professores poderão construir projetos pedagógicos onde o computador esteja inserido como uma ferramenta pedagógica. Sem professores preparados para utilizar os equipamentos, em pouco tempo essas poderosas máquinas estarão encostadas em algum depósito da escola ou terão sido vendidas como sucata.

Sobre YNAH DE SOUZA NASCIMENTO

Professora de Língua Portuguesa, autora de livros didáticos.
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