Professor recém-contratado sofre…

Lembro bem quando comecei a trabalhar como professora no Município do Rio de Janeiro. Escola Silvio Romero em Honório Gurgel. Mal cheguei, a turma de alfabetização considerada a pior, porque os alunos eram fora de faixa etária e não sabiam ainda ler apesar de 2 ou 3 anos na escola, já estava com nova professora: EU! Imagine… não sabia nem pra onde ir em questões de alfabetizar. O máximo que tinha visto nas aulas eram os métodos: fonético, silabação, misto!

Quando pedi socorro a uma colega que tinha turma de alfabetização ela me respondeu: Nem se preocupe, um dia eles dão um estalo e começam a ler…

Não era bem assim…

Passei o ano em desespero tentando dar o melhor de mim, apesar dos piolhos e das peles encardidas por falta de banho que os alunos traziam para as aulas. Não sei de consegui algum progresso. Confesso que foi um alívio ver chegar o final do ano.

Surpresa mesmo foi ouvir da diretora que eu permaneceria nas turmas de alfabetização dos alunos fora de faixa. Claro que reclamei e (em um discurso nada ético) disse que essas turmas deveriam ficar para os professores recém-contratatos…

Sabem o que ouvi de resposta? Nada disso. Aluno bom aprende com qualquer professor. Para alunos difícies, eu coloco os melhores professores…

Nunca me esqueci dessa história. E, de vez em quando, penso: será que hoje, tantos anos depois, as coisas ainda são dessa maneira?

Sobre YNAH DE SOUZA NASCIMENTO

Professora de Língua Portuguesa, autora de livros didáticos.
Esse post foi publicado em Autoestima, Dicas para o professor. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Professor recém-contratado sofre…

  1. Rosangela Cruz disse:

    Nossa. Estou me deliciando com as suas histórias. Também passei por isso: ir para as salas consideradas “piores” porque era recém-contratada. Porém, minhas turmas não eram de alfabetização e sim de ensino fundamental II, em que muitos também tinha problemas de alfabetização. Como não sou formada em Pedagogia, passei por várias pelejas. Queria ter sido melhor para eles, mas acho que contribui um pouco.
    Sobre a pergunta final, penso que isso ainda existe até hoje. Infelizmente em alguns casos, pelo menos em MG, os professores recém-contratados são colocados em salas de alunos de projetos( turmas de alunos repetentes que fazem duas séries em um ano) e muitos não conseguem alcançar os objetivos. Pois, acabaram de se formar ou ainda estão em formação. E ao que sabemos os curriculos acadêmicos de formação de professores não se adequa a realidade de sala de aula. Deixo claro que não me atenho a competência de cada professor, porque também passei por isso, e sei que em algumas vezes não consegui aprender e ensinar e nem quero deixar aqui uma visão amarga do ensino, pois amo o que faço e luto para que consigamos melhorias no processo.
    Um abraço e vou continuar a leitura de seus textos.

    • ynahdesouza disse:

      Rosangela, tenho muitas boas lembranças de Minas Gerais, onde passei muitas férias em uma cidade do interior perto de Leopoldina chamada Providência… eram mágicos aqueles dias. Cachoeira, visita a fazendas, leite de vaca tirado na hora… Bem, voltando ao seu comentário, obrigada pelo carinho. Estou à disposição para estreitarmos esse contato virtual sobre educação. Aliás, decidi fazer o blog para isso mesmo: trocar experiências. Seus comentários são muito bem-vindos. Abraços cordiais.

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